quarta-feira, 11 de março de 2009

Pulgas em Madrid

Não, não entrou pulga no meu quarto e menos ainda passei perto de algum vira-lata. O título se refere ao El Rastro, o mercado de pulgas de Madrid e tema da minha primeira matéria como free lance daqui de Madrid. O link para ela é esse:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/vitrine/vi0703200904.htm, mas reproduzo aqui o texto na íntegra e com fotos, que seguem abaixo intercaladas com a matéria.

MERCADO DE RUA ESPANHOL GANHA FORÇA COM CRISE
Criado no século 15, El Rastro baixa preços dos artigos, que vão de sino de bronze a blusas da Zara de segunda mão a 1 euro

LUISA BELCHIOR
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MADRI
Se viajar em tempos de crise é um desafio aos bolsos, voltar para casa de sacolas cheias pode não ser tão penoso. Ao menos para quem estiver disposto a garimpar. Na Espanha, o país da zona do euro mais atingido pela crise, segundo a União Européia, o mercado de pulgas medieval El Rastro, um dos mais famosos e antigos do velho continente, também apertou o cinto e baixou ainda mais os preços de seus artigos _que vão de roupas de marca de segunda mão aos mais variados objetos de antiguidade.
A tarefa não é fácil, porque o mercado, criado no século 15 se traduz hoje em cerca de 1.200 comerciantes, segundo a associação de vendedores Rastro, que, todos os domingos e feriados, montam barracas nas ruas do bairro da La Latina, em uma zona onde funcionavam matadouros.
Soma-se a isso a as pouco mais de cem mil pessoas que, alheias às liquidações de inverno das lojas espanholas a poucas quadras dali, circulam pelo mercado a céu aberto a cada edição, de acordo com a prefeitura de Madrid.

A reportagem se juntou a essa multidão e descobriu como encher a sacola de boas compras, que não ultrapassaram os 35 euros e chegam a 1 euro, por artigo.
O roteiro tradicional pelo Rastro começa na saída da estação de metrô La Latina, onde o mercado medieval ainda é eminentemente turístico. Mesmo assim, já dá para fazer boas garimpadas por ali. Na rua Mandonadas, a primeira depois da saída do metrô, há chapéus charmosos, customizados ou com lacinhos, a 10 euros e casacos de couro a 25 euros.
No fim da rua, que desemboca na praça de Cascorro, um barraqueiro vende conjuntos charmosos de gorros com cachecol ou luvas, todos de linha, a 5 euros. Foi a melhor relação custo-benefício deste tipo de produto encontrada na feira pela reportagem.
O que se cobra por luvas e cachecóis por ali, contudo, não são muito diferentes dos de lojas ao redor da Puerta del Sol, o centrão turístico de Madri, além de a qualidade ser pior. Para esses itens, os melhores negócios estão em lojas de acessórios instaladas dentro das estações de metrô da cidade.
Mas os preços vão baixando conforme se desce a rua Ribera de Curtidores, a principal do Rastro e transversal à Mandonadas. Por lá, já se encontra uma jaqueta de couro a 15 euros, casacões de lã e algodão a 10 euros, meias estampadas a 4 euros (o par) e pashminas a 2 euros. Estas últimas, expostas em uma das barracas mais disputadas na feira, custavam 5 euros no último verão europeu, “até chegar a crise”, conta o vendedor Sarget Gasseh, 32.

Já os casacões, apesar da qualidade inferior aos de lojas de Madri _a maioria tem menos de 50% de lã na composição, contra uma média de 60% que as etiquetas de marca afirmam ter_, custam no Rastro menos da metade do preço praticado nas “rebajas”, as liquidações espanholas.
Na Zara, por exemplo, uma peça em lã com poliéster não sai por menos de 59 euros. E, embora as marcas espanholas ainda não tenham divulgado um balanço das vendas neste inverno, a queda nas vendas já é visível, segundo contou à reportagem a gerente da Mango Isabel Muñoz.
“Ninguém está comprando como antes. No ano passado, elas [clientes] gastavam como loucas. Agora, compram só o que realmente precisam”.
Já no Rastro, o ápice dos efeitos da crise se mostra em uma barraca de roupas de segunda mão. Por 1 euro, vende-se casacos e blusas usadas de marcas como Zara, Sfera e Mango, dispostas em uma pilha intensamente remexida pela multidão que costuma cercar o ponto.
“Muitas meninas de Madri só se vestem no El Rastro. É muita diferença, aqui a gente paga 1 euro em uma blusa, isso é incomparável”, conta a brasileira Amanda Marques, 22. Ela é a comerciante Rita Rodrigues, 46, que vivem nas redondezas de Madri, contaram que atravessam a cidade para comprar no mercado medieval.

Depois do banho de roupas, é no fim da Ribera de Curtidores que o mercado mostra seu lado mais tradicional, já desvelado aos poucos nas ruelas transversais. Ainda na Ribeira de Curtidores, há facas de 6 a 10 euros e castanholas a 5 euros o par.
Nas ruelas e praças no entorno da via, colecionadores e vendedores de antiguidades estão mais dispostos a pechinchas. Na rua de Carlos Arniches, por exemplo, há achados como maletas de couro entre 20 e 35 euros (dependendo do tamanho) e um sino em bronze com ilustrações do clássico espanhol “Dom Quixote” (Miguel de Cervantes) por 12 euros.
Por ali, é possível também recarregar as energias com poucos euros e preços congelados mesmo com a crise. O disputado El Capricho Extremeño oferece sanduíches de toda a sorte de sabores – como salmão defumado, presunto ibérico e camarões – por preços que vão de 2 euros a 3,50 euros, os mesmos praticados no último verão europeu.

Como quase tudo no Rastro, porém, é preciso não se importar com filas e multidões para comer ali. Também é importante ficar de olho nas bolsas, porque nessa parte da feira os “batedores de carteira” são mais frequentes, segundo a prefeitura de Madrid.
“Os meus fornecedores aumentaram os preços, mas eu não repassei isso aos clientes. Prefiro ganhar menos e não perdê-los. Temos que nos adequar à crise”, diz Manuela Gonzalez, proprietária do restaurante.
Pelo visto, o Rastro está tirando bom proveito dela. E os consumidores também.
Serviço
- Como chegar:
De metrô: paradas La Latina e Puerta de Toledo (ambas da linha 5), Tirso de Molina (linha 1) ou Embajadores (linha 3).
De ônibus: linhas 16, 33, 35, 41, 60, 148 e Circular.
- Horário: domingos e feriados de 9h as 15h.

7 comentários:

André Kano disse...

Poxa!!! Fui lá na Folha ver a matéria mas não publicaram ela inteira? Que chique você virando correspondente internacional! Vivaaaaa!

Marcelo Alves disse...

Muito boa matéria. Pelo visto, El Rastro é praticamente a Saara de Madri. Mas a pergunta que não quer calar é: com as castanholas tão baratas já comprou as suas e começou a treinar?

Raquel Medeiros disse...

Luli, muito boa a matéria!
Parabéns!
Beijos,
Raquel

kitty disse...

Oba, estou ansiosa para conferir in loco!

Anônimo disse...

Luli,
primeira de muitas...
seguindo o rastro de grandes...
espelhar espanha nas letras...
bjos

CYRANO disse...

Luli, se não reconheceu a ultima foi minha..aprendendo a usar o blog
bjos
Dindo

Daniele disse...

Oi Prima!!

Adorei esse mercado! Que vontader de passear por lá, é de ficar doida!!!

beijosss