sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um ano


No dia 16 de janeiro de 2009, eu desembarquei na Espanha com muitas malas, dúvidas, felicidade, medo, excitação, nervosismo e aquela sensação deliciosa de estar vivendo a vida.
Hoje, exato um ano depois (um ano torto, diga-se, já que estive no Rio), sigo na Espanha, e sigo com muitas malas, dúvidas, felicidade, medo, excitação, nervosismo e aquela sensação deliciosa de estar vivendo a vida.
O que não quer dizer, claro, que nada mudou. Tudo mudou. A diferença não é o fim, o objetivo ao que cheguei ou pretendo chegar, mas o caminho que percorri, as pessoas que conheci, as viagens, o estudo, os trabalhos, os lugares, as sensações. Essa é a maior mudança, a maior recompensa.
Mas não quero fazer desse post um balanço anual. A ideia é simplesmente deixar o registro e agradecer a todos no Brasil que me apoiam, me incentivam e torcem por mim (assim como torço para todos, diga-se).
E, para manter o costume (promessa de Ano Novo!), aqui vão algumas fotinhos tiradas ao longo dos últimos (primeiros?) 12 meses.


































quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O ano começa depois...dos Reis Magos


Sabe aquela história de que no Brasil o ano começa depois do carnaval?
Na Espanha, ao que me parece, isso acontece depois do dia de Reis Magos, celebrado ontem, 6 de janeiro.
Aqui, a data, feriado nacional, é muito comemorada: é só nesse dia, e não no Natal, quando as famílias se dão presentes, "trazidos" não pelo Papai Noel, mas pelos três Reis Magos (o que realmente faz mais sentido). De forma que aquela loucura de compras que temos no Natal é transferida aqui pros primeiros seis dias de janeiro.
Passados esses dias, as pessoa enfim se recolhem às suas casas e param de comprar, certo?
Errado, erradíssimo. Hoje, 7 de janeiro, é o dia que começam oficialmente as "rebajas" (as grandes liquidações que acontecem duas vezes ao ano), nesete caso as de inverno. Como já tenho roupa o suficiente (tão suficiente que nem couberam no armário do meu novo quarto), nem passei perto das Zaras e companhia, mas corri para o Carrefour para garantir o meu estoque anual de "turrones", uma pequena maravilha da Espanha cuja varidade de sabores descobri neste Natal.
O resto do dia, o primeiro da frente (muito) fria que chegou da Inglaterra, passei debaixo das cobertas, assistindo às repetidas cenas daquele monte de gente entulhada nas portas das lojas e correndo em direção às prateleiras.
Como o frio me desabilitou a tirar as mãos do bolso, não fiz nenhuma foto dessa catarse coletiva aqui em Madrid, mas garanti uma sessão de registros das celebrações típicas do dia de Reis Magos: a Parada de Reis que acontece anualmente nas principais ruas de Madrid na noite do dia 5, um típico café da manhã familiar de Reis - neste caso, o da minha amiga Susana, que me convidou para participar dele - a comemoração entre amigas que fizemos aqui em casa de noite e, por fim, um dos protagonitas da data: o Roscón, um pão doce em forma de rosca com açucar, pinhões e frutos secos, que é a comida tradicional do dia de Reis Magos. Dentro dele, vem sempre um brindezinho, e a graça é que quem o encontra terá sorte para o ano (mentira, a graça é devorar a rosca, com chantilly e chocolate!).


A parada de Reis Magos na Plaza de la Cibeles



A vitrine da patisserie daqui da esquina lotada de roscones



o lanche de Reis Magos aqui em casa

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mudança de (alguns) hábitos

O que fazer na primeira segunda-feira do ano, com muito frio, muita chuva e muita preguiça?
Não, eu não passei o dia (todo) debaixo das cobertas: decidi, enfim, me matricular na academia aqui perto da minha casa, o que, mais que uma resolução de Ano Novo, era um compromisso de 2009 ainda pendente. Depois, claro, de ir no supermercado (meu programa preferido) recarregar a dispensa para 2010.
Pois bem, lá fui eu, com duas calças e três casacos, fazer uma aula de pilates, que, junto da sauna, pretendo que seja a minha atividade principal na tal academia.
Como academia é academia em qualquer lugar do mundo (assim como preguiça também é preguiça por aqui), se eu vou conseguir vencer o frio meu de cada dia pra atravessar a rua em busca de alguma gota de suor, isso sim já é uma resolução de 2010 que o tempo dirá se será cumprida ou não.
Não importa, o importante é essa sensação gostosa de que o ano começou, embora o meu só comece mesmo na semana que vem, quando volto às aulas. Mesmo assim, esse fim de semana já peguei no batente, porque passei a ser garçonete fixa de sexta, sábado e domingo no restaurante vegetariano que trabalhava às vezes. O bico é ótimo, tirando o fato de ter começado nada menos que no dia 2 de janeiro, motivo que me levou a pegar o ônibus da 1h da madrugada de sábado de Barcelona, onde passei o Réveillon com duas amigas brasileiras.
O que significa que, sim, eu sobrevivi ao meu primeiro Natal longe da família. E curti uma versão da ceia com "expatriados" uruguaios, peruanos, argentinos e, claro, brasileiros, com amigo oculto, farofa e rabanada.
A seguir, envio fotos de lá e de Barcelona - um hábito, este sim, que pretendo manter em 2010.

Os "expatriados" na noite de Natal na casa da Ju.

A sobremesa, de rabanada, panetone estilizado e os deliciosos turrones, uma das maravilhas da cozinha espanhola.


Com Luna e Ilana e o mallorquino Pol na virada em Barcelona

Festinha na casa do amigo da Luna, onde nos alojamos.

O nascer do dia 01/01/2010. Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Tô com frio.com

Segunda-feira. 7h15. -3ºC. Neve. Nenhum sinal do amanhecer.
Quinze minutos atrás estava debaixo de três cobertores e dentro da calefação do meu quarto, curtindo aquela deliciosa sensação de dormir quentinha numa manhã de inverno. Mas tinha conseguido um bico de recepcionista, que começava 8h da madrugada.
Madrugada mesmo, porque só começa a clarear lá pras 8h30.
Então dá pra imaginar o breu que tava quando saí de casa.
Mas fui logo despertada por um quase mega tombo que levo ainda na portaria do prédio, por causa da pista de patinação na qual o chão tinha se transformado com o gelo da madrugada. Nem internet, nem tv, nem radinho de pilha: esse foi o meu modo de descobrir a nevasca que começava a atingir toda a Europa.
Sei que foi um caos, atrasou voos, ficou tudo congelado e tal. Mas foi tão lindo olhar pra cima depois de me refazer do escorregão e ver a rua toda branquinha! Dá outra cara pro frio, que na semana passada chegou com tudo por aqui.
Hoje e ontem o tempo deu uma aliviada boa, o suficiente pra eu perceber como o meu humor é afetado pelo nível de frio que sinto. Quandos os termômetros baixam a -3ºC ou meus pés começam a congelar, me bate uma vontade louca de sair correndo pro aeroporto, trocar minha passagem de volta para amanhã e curtir o Natal como ele deve ser: na casa da vovó, com farofa de ameixa, rabanada e, oras, muito calor.
Mas sem dramas. Além de ter a casa só pra mim, amanhã é dia de dismistificar o Natal, como me disse uma amiga: vou passá-lo numa daquelas festas com alguns amigos e muitos desconhecidos. Ah, e sob floquinhos de neve. Que frioooo

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Calle del Limón, número 1.

É o meu novo endereço. Não é uma fofura?
Mais ainda é o bairro, um intricado de ruelas e ladeiras com sacadas charmosinhas, restaurantes típicos, sebos, livrarias, mercado tradicional, bares e cafés aconchegantes e, um centro cultural e uma mega biblioteca municipal. Fica numa área um pouco elevada ao lado da Plaza de Espanha, uma das principais aqui de Madrid e marco inicial da Gran Via, a versão espanhola da Champs Elysée.
Eu já vinha namorando essa área antes de voltar pro Rio, mas só achava coisas caras. Até que achei um quartinho - dessa vez é quartinho, e não quartão - por um preço bem camarada. Marquei uma visita no dia que eu cheguei com os donos, um casal de velhinhos fofinhos - fofinhos no limite dos espanhóis, diga-se - e decidi baixar acamapamento por aqui mesmo.
Bom, chega de papo e vamos aos fatos, ou melhor, às fotos:

Apresentando...meu quarto:



A sala, apertadinha...


...e a cozinha, por sua vez bem espaçosa:


Agora vamos dar uma voltinha no bairro. Eis aí a minha rua.


E a rua do lado, com lojinhas como essa confeitaria...


...e esse café estiloso:


Nessa mesma rua, há alguns dos muitos restaurantes típicos da área: um chinês e um tailandês (na foto) - mas também tem um peruano, um mexicano, um cubano, um turco, um venezuelano, um árabe, um libanês, muitos orientais e vários outros que agora não me lembro. Pra não mencionar as lojinhas de alimentação com produtos latinos - yes, nos temos pão de queijo e farofa - e orientais - orientais de verdade, escritos em japonês e tudo, além de baratinhos.
No final da rua, pra completar, um mega achado: o Mercado de los Mostenses, uma espécie de Cobal com todas as frutas, verduras, peixes, frango, carne e embutidos que se imagina.


Essa é a rua debaixo, que dá na Plaza de Espanha e onde tem a academia que eu quero entrar desde o dia que cheguei (só falta me matricular!). Não é nenhuma Pro-Forma, mas custa menos que a terça parte dela, e tem aula de pilates, musculação e, principalmente, uma sauninha pra eu ir lá me descongelar de vez em quando.


Falando em congelar, hoje nevou pela primeira vez neste inverno. A rua tava linda, com os carros todos branquinhos (alguns enguiçados, mas isso é só um detalhe).
Tudo muito romântico até os meus pés começarem a congelar e assim ficarem pelo resto do dia. Sério, eles até fizeram aquele barulinho de choque térmico quando entrei no banho pelando ao voltar da aula. E do banho vim direto pra debaixo das três cobertas de lã - que seriam exagero se a calefação do meu quarto não resolvesse desligar sozinha - e onde estou até agora. To aqui reunindo forças pra ir até a cozinha esquentar um saco de água quente pra colocar no meu pé, que parecem trancados em um freezer.
Tento pensar que frio é psicológico e ignorar o fato de que ainda tenho mais dois meses de invernão, mas confesso que tem (vários) momentos que esse frio tira meu humor e que me dá uma vontaaaade de sair correndo pro aeroporto e trocar minha passagem de volta por 15 dias de calor do verão e da minha gente aí do Rio...
Deve ser coisa de Natal, que eu nunca passei longe da casa da vovó. Aliás, falando nele - o Natal - termino com uma fotinho da árvore que montaram aqui na Plaza de España, e que descongela um pouquinho minhas noites e dos pensamentos frios...
quem se solidarizou e quiser fazer uma visitinha, ja sabe o endereço - Calle del Limón, número 1!):

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Assentamento

O encanto de Madrid é misterioso. Não por ser uma cidade com ares místicos e lugares secretos - até porque não o é -, mas por te enganchar sem nenhum motivo aparente, sem obviedade. Ele, o motivo, aparece sutilmente quando você está andando na rua, ou vagando por aí.
Tão sutilmente que acho que tinha até me esquecido porque quis voltar. Ok, o curso de doutorado era o motivo principal, na carona das chances de continuar fazendo jornalismo freelance e de rever as amizades.
Mas as entrelinhas deste roteiro principal são como o encanto de Madrid: não se tira delas uma resposta direta, uma obviedade como a Paris da Torre Eiffel, dos museus, das baguetes e doces maravilhosos em cada "birosca" ali da esquina, do charme da cidade universitária onde fiquei hospedada há três semanas.
A resposta vem aos poucos...
Na semana passada, foi a vez de a minha irmã vir pra cá, e, ao contrário da minha estadia em Paris, com agenda cheia, por aqui faltava compromisso pra preencher os dias - há que se considerar também que ela já conhece todos os pontos turísticos que eu conseguia pensar.
Mas foi numa caminhada rumo à chocolateria San Ginés - que tem os churros com chocolate mais famosos de Madrid - que a tal resposta veio.
Foi essa:

A luz da lua cheia que rasgava as nuvens e completava a iluminação do prédio da prefeitura de Madrid (este que aparece na foto) e a decoração natalina já em toda a cidade foi a minha resposta. Não podia ser nada que não o céu de Madrid, que já me deu as boas vindas, me consolou, me parabenizou no meu aniversário, sorriu comigo e se despediu quando fui embora, que agora me daria essa resposta, ainda que, conscientemete, não a tivesse buscando.
Hoje passei o dia arrumando meu quarto depois de quase duas semanas só parando nele para dormir por causa de aulas, trabalhos, turismo e muitos encontros, e também para aproveitar que não tinha curso - muito puxado - e planos pra noite - também muito puxada(pro meu ritmo!).
Depois de baixar o acampamento (enorme, por sinal) e antes de fazer uma deliciosa tortilla española e devorá-la enquanto assistia a um documentário na TV Española sobre o El Bulli - do Ferran Adria, o melhor chef do mundo segundo não sei quem - plantei umas sementes de girassóis que tinha comprado em Paris, porque me lembrei da frase que veio no cartão que meus pais me deram a caminho do aeroporto: "se quiser ser feliz por toda vida, cultive um jardim".
P.s.: Nos próximos posts, fotos e detalhes do novo apartamento e do bairro e algumas dicas pra quem quer vir por essas bandas(com hospedagem garantida!).

sábado, 28 de novembro de 2009

O retorno

Depois de dois cansativos mas ótimos meses em casa e uma semana maravilhosa em Paris com minha sister, voltei a Madrid para uma segunda temporada.
Apesar das dificuldades - leia-se o frio e a conta bancária magrinha - estou bem feliz de estar por aqui de novo, e animada para os novos capítulos deste blog, que também tirou férias mas agora volta ao batente.
O fio condutor desta nova temporada é um doutorado em Migrações Internacionais, que comecei no dia que pisei na Espanha - o mesmo, by the way, que assinei o contrato do novo apartamento.
Por enquanto, como de costume, deixo algumas fotos desses primeiros dias. E convido a todos a novamente me acompanharem aqui nos próximos meses e, de novo, me fazerem sentir mais perto de vocês!


Jantar de boas vindas das minhas queridas amigas madrilenhas e latinas, que deram outra cor pra minha estadia aqui.


Na Eurodisney com Bel.

domingo, 13 de setembro de 2009

27

Há um ano fiz 26 anos e escrevi sobre a sensação de estar presa a um "eterno intervalo de tempo", sobre a vontade de "ver no meu retrato as mudanças que não passarão desapercebidas". Há nove meses embarquei em uma viagem para, sobretudo, buscar essas mundanças. Hoje eu fiz 27 anos e voltei pra casa com uma sensação deliciosa de olhar para trás e ver as minhas pegadas em um caminho que pode ser que tenha sido torto, com mais curvas do que a rota inicial, mas um caminho que eu mesma construí.
Pode não ter sido um caminho longo - quiçá não percorri mais que o trecho inicial - mas foi grande o suficiente para acolher uma imensidão de experiências: fiz lindas amizades, estudei países que nunca tinha ouvido falar, escrevi sobre eles, escrevi sobre um mercado de pulgas, sobre o aborto, sobre as Olimpíadas, sobre moda e arte, sobre bolinhos confeitados, a gripe suína e a imigração. Trabalhei, entrevistei e fui entrevistada, vi o Rei, vi o Rafa Nadal, vi imigrantes na rua e me entristeci com isso. Chorei ao ser demitida, chorei de saudade, chorei de emoção no meio da rua. Mas também ri até doer minha boca, tive dor mas não precisei ir no médico nenhuma vez (uma vitória para uma hipocondríaca!). Congelei no inverno, fritei no verão, fui à praia, vi a neve, fiz topless involuntário (leia-se um mega caixote no mar) e voluntariamente vesti quilos de roupa. Perdi e ganhei quilos, comi a dieta mediterrânea mas também a marroquina, a francesa, a portuguesa, a inglesa e a latina. Descobri os latinos, descobri que sou latina e me orgulhei muito disso. Aprendi a dançar salsa e merengue, mas também a cozinhar, a lavar o banheiro, a esfregar o chão, a limpar vidros, a fazer café, a carregar bandeja (sem derrubar!), a lavar louça. Me cansei. Dormi. Dormi num barco, dormi na casa de amigos, dormi em pé, dormi na areia, dormi no metrô, não dormi, peguei metrô, ônibus, trem, avião, andei de bicicleta, andei por quase toda Madrid. Viajei, sozinha, com meus país, com amigos novos e com os antigos que reencontrei pela Europa. Tomei vinhos maravilhosos - e baratos!. Gastei, economizei, mudei, me surpreendi e até me acostumei, e, como poucas vezes, me senti muito viva, uma sensação que é pra sempre, que nada mais pode tirar de mim.
Ano passado eu fiz 26 anos e escrevi que queria achar meu espelho. Este ano eu fiz 27 anos e escrevo que já não preocupo mais em encontrar esse espelho, porque meu reflexo mais fiel está no mundo, nas pessoas, no que ainda não vi e que anseio para ver nesse caminho que continuarei a construir (depois de umas fériazinhas em casa!).

"Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas prórpias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sobre o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."
Amir Klink.

sábado, 5 de setembro de 2009

Cigana por um mês

Já que tenho ancestrais romanos e húngaros, decidi explorar minhas raízes ciganas no mês de agosto. Depois de 26 anos morando na mesma casa, em um só mês "morei" em quatro lugares diferentes, sendo um deles um barco.
Ok, admito que não foi uma experiência voluntária: o contrato do meu apartamento terminou no fim de julho, e um amigo do Rio que mora em Madrid com a família me ofereceu seu apartamento nos 15 primeiros dias de agosto a começar pelo dia 2, quando viajaria de férias. Nesse hiato de dois dias, fui pra casa de uma amiga espanhola que ainda me ajudou a transportar minhas 5 malas, um caixote de livros e papéis e umas 50 sacolas (impressionante nossa capacidade de acumular coisas em alguns meses).
Depois de dois dias com a Susana, que mora ao norte de Madrid em uma casa com um jardim lindo e uma piscina que dá outra cor para o verão sufocante dessa cidade, passei 15 dias no apartamento do Fernando em regime de quarentena para escrever o trabalho final do master. Ao sair de lá, tinha planejado partir em uma viagem de uma semana em um barco da ONG de meio ambiente, onde estou "estagiando", que percorre a costa espanhola fazendo campanhas em portos e praias.
Mas, como quase tudo nessa viagem foge dos meus planos, a campanha atrasou alguns dias e, ao mesmo tempo, fui chamada para trabalhar nos fins de semana até o início de setembro num restaurante vegetariano que adoro.
Como a Susana foi viajar, recorri então a uma amiga uruguaia, que me abriu as portas do seu apartamento, o meu 3º lar do mês, por outra semana mais, uma semana de muito estudo, muito calor mas ótimas conversas.
Chegou a última semana de agosto e eu parti rumo à minha 4ª cama do mês, dessa vez o sofá da cabine do veleiro da ONG. Ok, confess que já não tenho o mesmo espírito hippie de alguns anos atrás e prefiro morar em uma casa mais limpinha e com gente que tome outros banhos além do de mar, mas foi maravilhoso dormir com o balanço do mar (sensação me acompanhou em terra firme nos 4 dias seguintes) e olhando para o céu, estudar na praia, comer muitos frtos do mar, ser assessora de imprensa de campanhas ecológica e, sobretudo, torrar ao sol.
Agosto acabou, mas meu espírito de cigana ainda dura mais alguns dias, que eu passo de novo na casa do amigo carioca, que está semana está de novo fora da cidade.
Pra quem nunca tinha se mudado na vida, tenho que dizer que não me saí mal. Devem ser minhas raízes ciganas.
Raízes, porém, que em alguns dias descansarão, agora sim, no meu lar, na minha cama, a de toda a minha vida...
Sim, estou voltando pra casa.


E, abaixo, o pôr do sol de Madrid visto da varanda da Raquel, em um dos ótimos momentos desse mês itinerante.